Pór Trás das Lentes - Capítulo 03

Tema musical para hoje

 

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Rio de Janeiro
Judith chega ao endereço do edifício que havia selecionado para alugar, um pequeno apartamento por temporada.

- É aqui moça, chegamos. – Avisa o taxista.

- Tomara que eu tenha sorte. – Ela fala enquanto paga.



Judith desce do táxi, entra na portaria do edifício e pede ao porteiro para falar com o proprietário do apartamento, ele já estava aguardando-a. Acertaram os detalhes e dirigiram-se para o apartamento alugado.
- Quanto tempo pretende ficar?- Pergunta o proprietário curioso.

-Não sei ainda, espero que não por muito tempo, tenho trabalho em São Paulo.
- Tudo bem senhorita, se mudar de ideia e ficar mais de um mês, me avise e poderemos fazer um novo contrato de aluguel. Você está no Rio, quem sabe acaba morando aqui. – Ele brinca um pouco.

- Obrigada, vou pensar nisso.

Chegando ao terceiro andar, param em frente ao apartamento 302, o proprietário lhe entrega as chaves. Judith coloca a chave na fechadura quando a porta do apartamento do vizinho é aberta. Uma jovem de cabelos longos vestindo saia e camiseta de malha sai sorridente.

- Judith, esta é Andréa, sua vizinha do 301. – Proprietário apresenta.
- Oi Judith – ela estende a mão para cumprimentar - quer ajuda?

- Quero sim, estou chegando agora e como dá pra ver meio enrolada com a bagagem.

- É pra já vizinha, você não é carioca. – Fala Andréa com olhar brilhante.

- Não (sorriso), sou de Brasília, mas moro em São Paulo há muito tempo.

- Judith seja bem vinda ao Rio. Está em boas mãos, Andréa é uma ótima pessoa. Qualquer coisa pode me chamar, estou às ordens. – Despede-se e vai embora. (despediu-se).

As duas entraram no pequeno apartamento mobiliado com simplicidade, porém muito aconchegante. Andréa colocou a mala no chão, Judith se adiantou para abrir as janelas.

- O que você faz? – Pergunta Andréa enquanto se joga no sofá. – Me conte tudo.

- Sou repórter e você? – Responde Judith pensando: - Já vi que é folgada.

- Sou veterinária, morava na baixada, mas vim para o Catete, quero ficar mais perto do trabalho. Vou te apresentar o Rio, tem uns gatos aqui no prédio....

- Não vim procurar romance.

- Quem falou em romance, estou falando de amasso (risos).

Judith conta para Andréa o motivo de sua viagem sem mencionar a lista e com todo o cuidado de omitir os detalhes.

Prédio empresarial (manhã)


João entrou na garagem, estacionou na sua vaga, ligou o som, inseriu um CD e relaxou no banco do carro para ouvir a música: O que é o que é? Gonzaguinha. Quando a música terminou, desligou o som e começou a falar repetidamente em voz alta:
-Eu sou um líder, eu lidero meu mundo, todos me admiram, sou um vencedor.

Dois vigias do prédio observavam de longe e comentam entre si.

- Todo dia ele faz isso, fica lá dentro sentado antes de entrar na empresa.

- Esquece, rico também tem manias.

João sai do elevador no andar da presidência, atravessa o hall e para junto à mesa da secretária.

- Bom dia querida, que belas flores, quem mandou?

- O mesmo homem que me entreguei ontem, mas infelizmente não pode ser meu. – Márcia responde fazendo charme.

- Não seja possessiva, dê um tempo a ele e talvez ele seja só seu.

- Não acredito, para ele devo ser só mais uma que ele seduz e depois a deixa sozinha, pelos cantos, apaixonada.
- Engana-se, para ele você é a única. O que ele faz é sair com algumas deslumbradas para disfarçar o seu verdadeiro amor. – João procura falar o mais baixo possível, quase sussurra.

- Então por que ele não assume?
- Assim que ele estiver pronto para enfrentar os pais.
- Alberto está na sua sala, todos já chegaram para reunião. – Ela muda de assunto.
João entrou na sala sem nenhuma pressa.

- João! - Fala Alberto demonstrando entusiasmo. - Você pediu algo novo para revista. Que tal falar sobre os roubos nas mansões em São Paulo?

- Que droga Alberto! –Grita João exasperado - Essa revista é de atualidades, gente bonita, moda, luxo... não quero crime.

- É, só dessa vez o roubo foi aqui no Estado, em Angra dos Reis e o dono é muito famoso.

- Está bem, mas só uma pequena citação, o importante é falar sobre os proprietários, o que estão fazendo, se pretendem viajar após essa infelicidade, etc.
- Certo, fique atento na sua casa, à quadrilha parece ser a mesma de São Paulo. Quem sabe (tom irônico), pode ser que queiram roubar seus DVDs pornô. – Alberto se diverte coma brincadeira.
- Não preciso dessas coisas. – Retruca João contrariado.
A reunião prosseguiu, João e Alberto discutiram todos os assuntos importantes com os demais presentes na reunião.
 Após todos terem saído João pensa em Alberto que se despediu sem resposta.
- Cretino!


Hotel - RJ (A tarde)

Uma mulher usando grandes óculos escuros e peruca, após se apresentar na recepção de um hotel 3 estrelas, sobe para um dos quartos. Toca a campainha, logo a porta é aberta.

- Você demorou. – Fala Alberto impaciente.

- É, falei para Gustavo que ia ao analista e depois faria umas compras para agraciar o meu ego. – Resmunga Samira.

- Entra rápido mulher.

Samira entrou tirando os óculos e beijou Alberto na boca demoradamente.

- Assim me deixa sem fôlego, querida.

- Então pare de fumar e beber cerveja barata.

- Por que estava com tanta pressa em me ver? – Pergunta Alberto sem muita emoção.

- Estamos há dois anos esperando o momento certo, agora finalmente chegou. Gustavo está cada vez mais distante, envolvido com os negócios e eu faço minha parte. Não paro de me queixar do João, assim ele me vê como muito chata e se mantém afastado dos assuntos domésticos.

- Tem certeza que está pronta?

- Tenho, essa é a hora certa.

- Tome cuidado para não levantar suspeitas. Eu trouxe a procuração lhe dando plenos poderes, agora precisa fazê-lo assinar. – Alberto entrega o documento a Samira preocupado.

- Você poderia ter pago um bom falsificador e facilitado as coisas.


- Perderia a validade e iríamos parar na cadeia.

- Deixa comigo, hoje mesmo vou fazer com que ele assine, tomarei todos os bens que ele tem.
- E quanto a João?

- Continuará rico, ele é meu filho. Por falar nele, tem uma coisa que não te contei.

- O quê?! – Alberto sente um calafrio percorrendo o corpo.

- João não é filho de Gustavo, é seu filho.

- Como?! – Ele leva a mão á boca tentando sufocar o espanto.

- Sem drama homem, por favor, foi naquele carnaval, quando Gustavo saiu para socorrer o irmão que teve uma crise de over dose de cachaça. Você bebeu um pouco a mais e fizemos sexo. Eu sempre te desejei, agora estamos juntos de verdade.

- Não sei o que dizer – Ele fica lívido.

- Não diga nada, apenas me faça gemer de prazer.






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